Mostrando postagens com marcador concurso público. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador concurso público. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de março de 2016

Futuro sistema de concursos

Quiçá um dia virá quando a última etapa do sistema de seleção de servidores será o "leilão holandês", isto é, um leilão invertido entre os aprovados nas etapas anteriores.

Os aprovados nas avaliações de competência ao cargo disputarão quem está mais disposto a ganhar menos para exercer a função. Princípio da eficiência econômica.

Cabe um problema: quem decidirá quais são as competências mínimas para o exercício do cargo? A pontuação mínima para ser aprovado? Certamente haverá uma politização da questão, as Bancas Avaliadoras, por exemplo, poderão subir hiperbolicamente a nota de corte, para garantir a aprovação do crème de la crème, somente.

Solução meio que de ficção científica sombria: coloquem pessoas já dentro do órgão para fazer as provas. A média de pontuação será a nota de corte. Se eles já estão lá e tiram em média x, significa que aquele x é suficiente para exercer o ofício. Sim? Não?

sexta-feira, 11 de março de 2016

Escravidão e concurso público

Um dos problemas econômicos principais da escravidão é seu alto risco: os escravos eram muito caros, e por causa disso apenas forneciam um retorno em longo prazo. Isto é, o lucro do trabalho escravo vinha muito depois de se ter pago quantias elevadas por aquele ser humano.
O risco vem de, afora exigir um capital inicial muito alto para gastar nos escravos, a produtividade poderia não compensar, o "trabalhador" poderia morrer cedo, fugir, ser um rebelde, etc.

Neste sentido, a mão de obra assalariada é muito mais eficiente e contributiva para o desenvolvimento econômico--exige menos investimento inicial, fornecendo lucro de forma mais rápida, e é possível demitir funcionários quando seus custos não estão compensando o retorno adquirido.

O concursado não se encaixa nessa apreensão: ao recrutar funcionários dessa forma, o governo está se comprometendo por décadas a pagar uma quantidade x àquele indivíduo. Pela vigente Constituição, não é possível passar a pagar menos ou demitir os improdutivos. É um custo obrigatório. "Haja o que hajar", os soldos devem ser pagos e até mesmo reajustados conforme inflação.

Escravidão e concurso público têm isso em comum: antes de garantir um retorno, é necessário firmar um compromisso enorme, que pode implicar em sérios prejuízos. Perversamente, as duas práticas vitimizam a parcela mais sofrida da sociedade: outrora escravos, submetidos a uma desumanização inconteste; hoje os mais pobres (em sua maioria negros), que são quem mais sente o peso de impostos, muito usados para sustentar ricos burocratas.